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Marketing

Posicionamento que resiste ao tempo não nasce em brainstorm

Lucio Mandarino | Marketing e Branding | 5 min de leitura

A cena se repete. Hotel executivo, sala com post-its coloridos, facilitador com cronometro, 14 pessoas da empresa reunidas por 2 dias. No final da sexta-feira, a parede esta cheia. Proposito. Visao. Atributos de marca. Posicionamento. Todo mundo aplaude. Na segunda-feira seguinte, o arquivo vai para uma pasta do SharePoint. Em 11 meses, alguém contrata outra agencia para refazer tudo.

Eu já participei de mais workshops desse tipo do que gostaria de admitir. Alguns eu mesmo conduzi, la no inicio. Levei tempo para entender por que não funcionavam.

O problema com o brainstorm de posicionamento

O workshop parte de uma premissa generosa: que juntar pessoas inteligentes numa sala por 16 horas vai produzir clareza sobre o que a marca e. O que ele produz, na maioria das vezes, e consenso. E consenso não e posicionamento.

Posicionamento e escolha. E dizer o que você e e, com a mesma firmeza, o que você não e. Workshop produz frases que agradam a todos e desafiam ninguém. "Somos a empresa que transforma o mercado com inovacao e proximidade." Isso poderia ser qualquer empresa. De qualquer setor. Em qualquer ano.

O posicionamento que resiste não nasce da sala de reunião. Nasce da interseccao entre o que a operação entrega de verdade, o que o cliente valoriza de fato, e o que o concorrente não consegue copiar. Isso exige pesquisa, exige campo, exige honestidade. Post-it não da conta.

Posicionamento por consenso e o oposto de posicionamento. Se todo mundo concorda na hora, provavelmente não diz nada.

O que diferencia marcas que duram

Trabalhei com marcas que mudaram de posicionamento 4 vezes em 7 anos. E trabalhei com marcas que mantiveram o mesmo territorio por mais de uma decada sem perder relevancia. A diferenca nunca foi a criatividade do conceito. Foi a profundidade da raiz.

Uma distribuidora de combustiveis no Sul do Brasil tinha um posicionamento construído num offsite em Gramado. "Energia que move o Brasil." Bonito. Generico. Durou 14 meses. Depois veio "Seu parceiro de confianca." Mais 9 meses. Depois, "Mais que combustivel." A marca estava patinando porque nenhum desses conceitos vinha da realidade do negocio.

Quando fizemos o trabalho de campo (47 entrevistas com revendedores, 12 com clientes finais, análise de 8 concorrentes regionais), o que apareceu foi outra coisa. O diferencial real da empresa era a velocidade de entrega e o relacionamento do consultor de campo. Nenhum workshop tinha descoberto isso porque nenhum workshop tinha saido do predio.

O posicionamento que resistiu veio dai. Da verdade operacional. Não de uma parede de post-its.

As 5 perguntas que nenhum workshop responde

O que o cliente diz sobre você quando você não esta na sala? Não o que ele responde na pesquisa de satisfacao (onde todo mundo e educado). O que ele fala para o colega, para o concorrente, para o Reclame Aqui. Essa e a percepcao real.

Qual e a sua verdade competitiva? Não o seu desejo. Não o que o board acha que deveria ser. O que, hoje, você faz melhor que o concorrente? Se a resposta for "nada de especial", o problema não e de branding. E de estrategia.

O que a operação sustenta? Posicionamento que promete o que o campo não entrega e divida com juros. E quando vence, o custo de credibilidade e alto.

Qual e o territorio que o concorrente não pode ocupar? Se a resposta servir para ele também, não e territorio. E terreno baldio.

Quem e o dono do posicionamento dentro da empresa? Se for "o marketing", provavelmente não sobrevive a proxima troca de diretor. Posicionamento que dura tem dono no C-level. Alguem que briga por ele quando a pressao de curto prazo aperta.

O melhor posicionamento e aquele que a operação já prática sem saber que e posicionamento.

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O caminho que funciona (e demora mais do que 2 dias)

Posicionamento que resiste exige um processo diferente. Comeca com escuta, não com criacao. Vai ao campo antes de ir ao quadro branco. Confronta a percepcao interna com a percepcao externa. E só depois de entender a verdade competitiva e que começa a construir a narrativa.

Esse processo leva mais tempo? Leva. Mas o posicionamento dura. Você não precisa refazer a cada 14 meses. Não precisa recontratar a agencia a cada troca de gestão. A economia de longo prazo e brutal: uma empresa media gasta entre R$137K e R$400K por ciclo de reposicionamento (agencia, pesquisa, produção, midia). Fazer isso 4 vezes em 7 anos custa mais de R$1M. Fazer uma vez, com raiz, custa uma fracao e dura.

O "Pergunta la no Posto Ipiranga" não nasceu num brainstorm de sexta-feira. Nasceu de um entendimento profundo do que o posto representava na vida do consumidor. De uma pesquisa que mostrou que as pessoas já iam ao posto resolver coisas que não tinham a ver com combustivel. A campanha não inventou um conceito. Traduziu uma verdade que já existia no campo.

O principio

Posicionamento forte não e o mais criativo. E o mais verdadeiro. E aquele que, quando você le, pensa: "E, e exatamente isso que essa empresa faz." Não o que ela gostaria de fazer. Não o que ela planeja fazer em 2028. O que ela faz hoje, toda semana, em toda unidade.

Se o seu posicionamento muda a cada troca de agencia, ele não tinha raiz. Se ele precisa de explicacao, não tinha clareza. Se a operação não reconhece, não tinha verdade.

A marca que resiste ao tempo e a que fala o que faz. E faz o que fala.

Quando foi a ultima vez que seu posicionamento foi testado no campo?

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Lucio Mandarino

Lucio Mandarino

Marketing e Branding · Xpert V30

30+ anos em marketing, bens de consumo e energia. Diretor de Marketing da Ipiranga: reposicionamento de marca, "Pergunta la no Posto Ipiranga", KM de Vantagens, ConectCar e CX.

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